Julho 12, 2009
1. Introdução
Com o uso cada vez mais intenso das mídias
digitais como fotos, músicas e vídeos, é muito fácil nos
depararmos com o problema de disco cheio em nossos computadores
domésticos. A solução que nos vem à mente de imediato é comprar
um HD maior. HDs de 500 Gb (Gigabytes) ou 1 Tb (1000
Gigabytes) já podem ser adquiridos à preços acessíveis e
certamente representam muito espaço para armazenamento desses
arquivos. Só para você ter idéia, 1 Tb pode armazenar pouco mais
de 200 DVDs ou 1400 CDs!!
O problema que surge com todo esse volume de dados
é como manter os dados em segurança. HDs são dispositivos
mecânicos e sujeitos à falhas. O que acontece se o seu HD de 1 Tb
pifar, com todas as fotos do(a) seu/sua filho(a), desde o seu
nascimento, mais os vídeos de todas as festas de aniversário
dele(a)? Se você for o marido, no mínimo vai levar uma “senhora”
broooonca da esposa... :)
Claro que a resposta ideal para esse problema
chama-se backup ou cópias de segurança. Grandes
empresas podem dispor de unidades de fita magnética de alta
capacidade e robôs de backup, mas para uso domésticos são
soluções muuuuuito caras.
2. Soluções de baixo custo
Com os preços acessíveis dos HDs atuais, uma
solução razoável é utilizar dois HDs onde você possa armazenar
os arquivos duplicados em ambos. Existem várias alternativas para
fazer cópias automáticas de um para outro. O uso de programas como
rsync ou unison são algumas possibilidades. Esses
programas mantêm dois repositórios de dados sincronizados, copiando
somente os arquivos que foram alterados desde a última vez em que
foram executados.
Outra possibilidade é o uso de RAID –
Redundant Array of Independent Disks (cadeia redundante de discos
independentes). As soluções de alto desempenho implementam o RAID
através de dispositivos especiais (controladoras), desenvolvidos
para esse fim. Também podem ser implementados por software mas não
oferecem o mesmo desempenho por consumirem poder de processamento do
processador, não sendo indicados para aplicações com alto volume
de leitura e gravação. Sistemas operacionais como Linux, BSD e
Solaris possibilitam o uso de RAID por software. No Windows,
só nas versões “server” (é... no XP e no Vista, não dá...).
Existem diferentes tipos de RAID. Os que
mais nos interessam, são o RAID 1 e o RAID 5. No RAID
1, os dados são gravados simultaneamente em dois discos, de
forma “espelhada”. Assim, se um disco falhar, você tem a cópia
dos dados no outro disco. No RAID 5, são requeridos no mínimo
3 discos, os quais formam um virtualmente um único disco. Os dados
são distribuídos nos três discos de forma uniforme mas com uma
informação de controle adicional chamada de paridade. Esse
controle adicional possibilita que os dados continuem a ser gravados
e recuperados mesmo que um desses discos venha a apresentar falha, ao
custo de um pior desempenho. Mas nenhuma informação é perdida e o
sistema continua funcionando.
No RAID 1 você utiliza somente 50% do
espaço total provido pelos dois discos, já que o segundo HD é
cópia primeiro. Para tornar mais claro: se você usa dois discos de
500 Gb (que perfazem um total de 1000 Gb), o seu espaço útil é
somente 500 Gb, ou seja, o espaço de um HD. No RAID 5, em
vias de regra, você perde um disco. Assim, se você usa 3 discos de
500 Gb, só terá no máximo 1000 Gb (1 Tb) de espaço útil.
Para montar uma solução de baixo custo, você
pode utilizar um RAID por software usando Linux, por exemplo.
Com uso de um recurso adicional chamado de LVM – Logical Volume
Manager (gerenciador de volumes lógicos) você tem inclusive a
possibilidade de adicionar novos discos para “estender” os discos
em uso, sem ter que reformatar tudo e mover dados de um lado para
outro. Muito bom e flexível, mas inda complexo no gerenciamento.
Concebido para ser flexível e de fácil
gerenciamento, o sistema de arquivos ZFS foi criado pela Sun
Microsystems para uso em seu sistema operacional Solaris
(e no Open Solaris,
versão Open Source do
mesmo sistema). A idéia principal é que todos os discos façam
parte de um pool, ao
qual possam ser adicionados com a mesma facilidade com que se
adicionam módulos de memória RAM e ainda prover redundâncias para
permitir a alta disponibilidade com uso de tecnologia semelhante ao
RAID. Assim, você
pode criar mirrors
(espelhamento ou RAID 1)
e RAIDZ (equivalente
ao RAID 5) com muita
facilidade e transparência.
3. FreeNAS – Gratuito e fácil de gerenciar
Certamente à
essa altura você deve estar pensando: “Linux, Solaris,
RAID... Eu não entendo nada disso... Para que isso vai me servir?”.
É aqui que entra o FreeNAS,
baseado no FreeBSD,
que por sua vez é baseado no Unix,
assim como o Linux e o
Solaris. O FreeNAS
é um “empacotamento” de diversas funcionalidades do FreeBSD,
gerenciados por uma interface web, para ter as mesmas funcionalidades
de um NAS - Network Attached Storage
(armazenamento anexo à rede), que não é nada mais do que um
servidor de arquivos, funcionando como repositório de dados
centralizado para os diversos computadores de uma rede.
Portado do
Solaris para o FreeBSD
a partir da versão 7, o FreeNAS
disponibiliza o ZFS a partir da versão 0.7RC1, unindo a facilidade
de gerenciamento da interface web com os recursos de alta
disponibilidade do ZFS, para montagem de um servidor de arquivos
utilizando computadores e HDs de uso doméstico.
O FreeNAS
pode ser instalado no HD, pendrive ou carregado diretamente de um CD
(Live CD), sem a
necessidade de ser instalado no computador. Nesse caso, ele utiliza
um disquete ou pendrive para armazenar as suas configurações. A
execução a partir do CD ou pendrive são opções muito
interessantes por deixarem os HDs exclusivamente para armazenamento
de dados. O uso do Live CD
ainda traz a facilidade para atualização de versão, bastando
trocar o CD por outro que contenha a versão mais nova do FreeNAS.
Os requisitos de
hardware para a execução do FreeNAS
não são elevados e o servidor pode ser montado com qualquer
computador barato à venda atualmente. Até um computador usado que
você tenha “encostado” porque acabou de comprar um computador de
“última geração” serve para esse fim. A única exigência é
que ele possua pelo menos 512 Mb de RAM para utilizar o ZFS e,
logicamente, os discos rígidos que devem ser do mesmo tamanho para o
espelhamento ou pelo menos 3 HDs para RAIDZ,
preferencialmente, todos do mesmo tamanho. O espelhamento até
funciona com discos diferentes, mas o espaço útil será o do menor
disco, desperdiçando o restante do disco maior.
Uma vez
configurado, o computador com FreeNAS
será visível pelos compartilhamentos de rede do Windows, como
qualquer outra máquina Windows.
4. Considerações Finais
Com muito de
nossas vidas armazenadas em meio digital, devemos sempre ter a
preocupação de preservar tais informações de forma segura. Com os
elevados volumes de dados criados com o uso de fotos digitais e
vídeos, o uso de cópias de segurança (backups)
em fita magnéticas são inviáveis para uso doméstico pelo alto
custo, enquanto que cópias em meios óticos como CDs e DVDs são
inviáveis pelo pequeno volume de dados que comportam, quando
comparados com as capacidades dos discos rígidos atuais.
Com o
barateamento dos discos rígidos, armazenar as informações em
duplicidade, usando mais de um disco rígido, é uma opção viável
para uso doméstico e o FreeNAS
é uma ótima solução para um armazenamento confiável.